sábado, 31 de outubro de 2026

 

ATA 11ª. 68  DE REUNIÃO  EXTRAORDINARIA DO CONSELHO CONSULTIVO (MNEPB) 

ATA 7ª REUNIÃO EXTRAORDINARIA DO BIÊNIO 2025-2027

 

Data: 28 de outubro de 2026

Modalidade: videoconferência, Microsoft Teams 

Horário:  início 14h / encerramento 15h38

 

PARTICIPANTES:

Poder público:

·         Lucas José de Araújo Oliveira — Fundação Florestal (titular; chefe da unidade);

·         Vitor Suzuki de Carvalho — Diretoria de Biodiversidade e Biotecnologia (titular);

·         Silvio Takashi Hiruma — Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA; titular);

·         Patrícia Greco Campos Faraco — Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio; titular);

·         Cristhophe Saldanha Balmant — Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio; suplente).

Sociedade civil:

·         Breno Carvalho Pereira — Associação Altiplano do Baú (AAB; titular);

·         Eduardo Sawaya Botelho Bracher — Associação Altiplano do Baú (AAB; suplente);

·         Antônio Calvo Neto — Armazen Aventura, representação do setor privado ligado a atividades turísticas, econômicas e ambientais (suplente);

·         Murilo Costa Santiago — Fundação Paiol Grande, segmento de ensino e pesquisa (titular);

·         Italo Cesar Puntoni Memolo — Grupo de Recuperação Ambiental da Pedra do Baú (GRAMBAÚ; titular);

·         Bruno Mario Toldi — Grupo de Recuperação Ambiental da Pedra do Baú (GRAMBAÚ; suplente);

·         Juliana de Oliveira Soncini — Associação Esportes de Montanha de São Bento do Sapucaí (ASSEM; titular);

·         Eliseu Rodrigues Frechou — Federação de Montanhismo do Estado de São Paulo (FEMESP; titular).

 

Apoio à reunião: Inná Freitas Saldanha


 1       Abertura e pauta

O gestor Lucas José de Araújo Oliveira abriu a reunião extraordinária do Conselho Consultivo do Monumento Natural Estadual Pedra do Baú, informando que o encontro teria como pauta única a discussão do Projeto de Lei nº 117/2026, referente à revisão do Plano Diretor do Município de São Bento do Sapucaí, e seus possíveis impactos sobre a unidade de conservação.

 2       Contextualização da proposta e delimitação da competência do Conselho

Lucas Oliveira, chefe da unidade, apresentou as informações de que dispunha sobre o zoneamento municipal vigente e as alterações propostas, destacando a Zona de Proteção 3 (ZP3), que abrange o território do Monumento e se estende para áreas externas na região do Pereiral. Esclareceu a distinção entre os limites da unidade de conservação estadual e os zoneamentos municipais, ressaltando que a revisão do Plano Diretor não altera, por si, o perímetro legal do MONA. Informou que a gestão acompanhou discussões municipais, mas não recebeu formalmente o PL nº 117/2026 para manifestação técnica, nem todos os elementos georreferenciados necessários à análise.

Os conselheiros discutiram a pertinência de manifestação sobre áreas externas à unidade, particularmente a região dos condomínios, e convergiram para priorizar, nesta discussão institucional, os efeitos diretos da proposta sobre o MONA, sem prejuízo de reconhecer a relevância ambiental das áreas adjacentes e dos debates que competem às instâncias municipais.

 3       Manifestações dos conselheiros

3.1       Antônio relatou sua participação na audiência pública municipal e apontou insuficiência de informações sobre a proposta de faixa não edificável de 500 metros no entorno do complexo rochoso. Questionou a definição do ponto de referência e do perímetro abrangido — inclusive quanto a Pedra do Baú, Bauzinho e Ana Chata — e a ausência de indicação clara dos tipos de edificações restringidas. Ressaltou a necessidade de prever ou esclarecer tratamentos para pequenas estruturas de apoio à visitação, a exemplo das instalações de trabalho e atendimento no receptivo.

3.2       Bruno Toldi enfatizou a ausência do Plano de Manejo do MONA, instrumento considerado fundamental para definir regras de uso e ocupação mediante discussão participativa com proprietários e demais atores.

3.3       Silvio questionou a incidência e a futura delimitação da zona de amortecimento e os possíveis impactos de ocupações externas, especialmente sobre nascentes e recursos hídricos. O gestor esclareceu que o MONA ainda não possui zona de amortecimento delimitada em Plano de Manejo, embora empreendimentos no entorno possam demandar avaliação ambiental em situações específicas.

3.4       Eduardo Bracher destacou a necessidade de conhecer os fundamentos técnicos e ambientais que justificaram a classificação como ZP3 de áreas externas ao MONA, mencionando a possibilidade de relevância para cabeceiras, cristas e mananciais. Sugeriu resgatar esses fundamentos e subsidiar o debate junto aos órgãos municipais competentes, distinguindo o problema fundiário e urbanístico dos condomínios das características ambientais das áreas adjacentes.

3.5       Vitor Suzuki de Carvalho abordou a coexistência de normas municipais e ambientais incidentes sobre um mesmo território, pontuando que a ausência de restrição em determinado instrumento não afasta restrições válidas estabelecidas em outro. Destacou a relevância da futura elaboração do Plano de Manejo e propôs que o Conselho formalizasse uma manifestação à Fundação Florestal solicitando sua priorização e atualização do cronograma.

3.6       Breno considerou necessário aprofundar a análise cartográfica e documental, diante da dificuldade de interpretar as delimitações contidas na proposta legislativa. Também mencionou problemas de redação do artigo 92 do Plano Diretor municipal e defendeu cautela antes de qualquer posicionamento conclusivo sobre as áreas afetadas.

3.7       Murilo salientou as implicações sociais e administrativas das alterações de zoneamento e o risco de interpretações equivocadas sobre construções e autorizações. Defendeu concentrar a manifestação do Conselho nos interesses da unidade de conservação e obter esclarecimentos formais sobre eventuais exceções para estruturas de apoio ao turismo.

 4       Discussão sobre a área não edificável

Foi debatida a proposta municipal de restrição de novas edificações em faixa de aproximadamente 500 metros no entorno do maciço rochoso. Os presentes observaram que os materiais disponibilizados não permitiam identificar, com segurança, a geometria exata da área, os marcos utilizados para sua medição, a abrangência dos diferentes afloramentos e as atividades ou estruturas eventualmente excepcionadas. Foram citados exemplos de instalações de apoio operacional, sanitários e receptivos, cuja possibilidade de implantação precisaria ser explicitada no texto legal. Ressaltou-se a importância de compatibilizar a proteção ambiental, os direitos dos proprietários e as necessidades de gestão da visitação, sem antecipar parecer favorável ou contrário à redação em debate.

 5        Encaminhamentos

5.1       Solicitação de informações complementares ao Município: Buscar junto à Prefeitura informações e materiais técnicos adicionais, incluindo a representação cartográfica/georreferenciada da área proposta como não edificável, os critérios utilizados para definição da faixa de 500 metros, a abrangência das disposições e o tratamento previsto para estruturas de apoio à visitação e de interesse público, de modo a subsidiar e aprimorar a análise técnica da proposta.

5.2       Formalização pela Fundação Florestal: O gestor indicou que preparará, com base nas discussões e na ata, nota técnica, visando subsidiar a avaliação institucional e a solicitação de informações complementares ao Município para aprofundamento da análise.

5.3       Priorização do Plano de Manejo: Fica registrado em ata a manifestação do Conselho solicitando à Fundação Florestal prioridade para a elaboração do Plano de Manejo do MONA, bem como informação atualizada sobre o cronograma institucional.

5.4       Limite da análise institucional: Concentrar a manifestação decorrente desta reunião nas questões diretamente relacionadas ao território do MONA e às atribuições da gestão, sem assumir posicionamento conclusivo sobre a regularização urbanística dos condomínios externos à unidade.

Ao final da exposição dos encaminhamentos, o gestor consultou os presentes quanto à concordância, sem registro de objeção expressa na transcrição. Não foi identificada votação nominal ou contagem formal de votos.

 

6       6. Informes finais

Foi confirmada, em princípio, a manutenção da reunião ordinária de novembro, mencionada para o dia 27, com previsão de apresentação de informações de prestação de contas da Fundação Florestal.

 

O gestor agradeceu publicamente os serviços prestados por Inná durante sua atuação junto à gestão da unidade, e ela manifestou agradecimento aos integrantes do Conselho.

 

Silvio informou a possibilidade de convidar pesquisadores responsáveis por estudos de suscetibilidade a riscos na Face Sul para apresentação ao Conselho e de buscar avaliação técnica preliminar que relacione os estudos existentes ao traçado de uma nova rota ou trilha. O gestor sugeriu incluir o tema na reunião seguinte e iniciar contato com os envolvidos.

 

O gestor também informou sobre atividade de divulgação do Programa Pró-Araucária em São Bento do Sapucaí, incentivando os conselheiros a divulgar a iniciativa.

 

7       7. Encerramento

Nada mais havendo a tratar, o gestor agradeceu a participação de todos e encerrou a reunião.